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Agência SAFRAS - 29 de junho de 2012
contribuição para o desenvolvimento sustentável Por Editor-chefe da Agência SAFRAS Para o agronegócio nacional, a
Rio+20 - a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável -
foi a oportunidade de se fazer presente nas discussões
relacionadas à preservação ambiental e à erradicação da pobreza e fome no
mundo. Vinte anos antes, na Eco 92, o setor sequer foi
convidado e nada pode fazer para tentar se defender das acusações e corrigir o
papel de vilão que, involuntariamente, acaba assumindo em debates neste
sentido. Se o setor soube ou não
aproveitar esta oportunidade, esta é uma questão de ponto de vista. Mas, ao
menos, marcou presença na festa e pode apresentar ao mundo não só seus
argumentos de defesa, mas alguns exemplos de práticas e legislações que buscam
o desenvolvimento sustentável. Não faltaram discussões, debate e protesto no AgroBrasil, espaço oficial do
setor durante a Conferência, que ocorreu entre os dias 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro. Para a senadora e presidente da
Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, a
inclusão do setor produtivo nas discussões em torno da sustentabilidade na Rio+20 foi muito relevante. “Em 1992, não participamos
nem das visitações. Por isso, estamos felizes em fazer parte, nos fazendo
presentes. Estamos mostrando o que estamos fazendo e que nos importamos com a
preservação do meio ambiente e que estamos comprometidos com a sustentabilidade”,
reiterou a senadora, durante o evento. Para Abreu, todas as teses ambientalistas
são teorias e quem “as coloca em prática é o setor produtivo”.
Senadora
Kátia Abreu, presidente da CNA
“Estamos contentes com esta
quebra de paradigmas. Deixamos de ser só assistentes e colocamos fim ao
monopólio das discussões, que eram restritas aos ambientalistas”, frisou. A
senadora também contradisse os críticos da Rio+20.
“Não posso admitir que reconheçamos que em 20 anos nada tenha evoluído Sobre a ausência de chefes de Estado dos
países desenvolvidos, Abreu disse entender a falta de importantes líderes. Para
ela, estes chefes não foram à Conferência por não terem condições, no momento,
de cumprirem com seu papel. “Estes países já desmataram tudo. A contribuição
deles neste momento seria mudar a matriz energética ou financiar os países
emergentes que estão adotando práticas sustentáveis. Com a atual situação da
economia destes países, eles seriam muito cobrados aqui e pouco
poderiam apresentar”. Economia verde A senadora fez questão de
enumerar os principais desafios à consolidação da economia verde e criticou
duramente os ataques ideológicos. “O capitalismo é que vai assegurar a inclusão
das práticas sustentáveis. Esse produto que vai surgir da economia verde tem um
custo e alguém vai pagar por isso”, disse. Outro ponto levantado pela
presidente da CNA foi a necessidade de enfrentar os custos
da mudança de matriz energética e também remunerar aquele produtor que deixou
de desmatar. “Os produtores têm uma tarefa árdua. Não é fácil produzir mais e
preservar o meio ambiente. Este processo exige a remuneração adequada”,
alertou. A adoção da economia verde tem o
custo da sustentabilidade, que deverá ser repassado ao consumidor final. Outro
obstáculo, segundo a senadora, é a assimetria entre os países. “Aqueles que
estão dispostos a trabalhar sob os preceitos da economia verde não poderão concorrer
com quem não respeita as normas”. O ministro da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Mendes aproveitou a ocasião para
estender o convite à sociedade urbana “que precisa conhecer o que o agronegócio
tem feito para levar alimento de qualidade à mesa do brasileiro”. O ministro
sugeriu ainda que o Mapa e APP global As palestras, coletivas e
apresentações que ocorreram nos 10 dias de Conferência no Píer Mauá, que
abrigou o espaço AgroBrasil,
levantaram alguns posicionamentos, indicaram caminhos e apresentaram exemplos
da agropecuária sustentável praticada pelos produtores brasileiros. Um dos
pontos colocados foi a proposta de expandir para
outros países algumas exigências do novo Código Florestal brasileiro, com
destaque para as APPs (Áreas de Preservação
Permanente). A proposta de adoção de APPs Mundiais visou apresentar ao mundo um exemplo positivo
de preservação ambiental do Brasil. “Não queremos desrespeitar a soberania dos
países, mas temos autoridade para sugerir as APPs
globais”, a senadora Kátia Abreu. A falta de problemas mais graves de
disponibilidade de água no Para Kátia Abreu, não há
contradição no fato da CNA defender a preservação de matas ciliares em âmbito
mundial e debater a questão no Código Florestal. “Nenhum parlamentar duvida da
importância das APPs. O problema é a questão gente,
pessoas que habitam as margens dos rios. Não temos recursos para tratar essa
questão”, enfatizou, acrescentando ser por esta razão que A senadora reiterou que
preservar o ambiente e adotar práticas sustentáveis valorizam
a propriedade e contribuem para o aumento da produção. “É impossível pensar a
produção hoje sem ser sustentável. Todos somos ecologistas e defendemos a
sustentabilidade, mas cada setor tem as suas prioridades”, ressalvou. “É claro
que nesse processo, a agropecuária cometeu erros, mas estamos dispostos a
corrigi-los, mas levando em conta a questão social e sob um ambientalismo
científico, e não ideológico”, concluiu a senadora. A proposta de adoção de APPs (áreas de preservação permanente) globais é uma ideia desafiadora, mas muito adequada. A avaliação foi
feita pelo presidente da Agência Nacional da Água (ANA), Vicente Andreu Guillo. Segundo Guillo, a sugestão faz adequadamente a ponte entre a
preservação ambiental, a produção e a proteção aos recursos hídricos. Para o
presidente da ANA, a proposta poderia ter ocupado uma posição mais relevante
nas discussões da Rio+20. Guillo
aproveitou a ocasião para fazer a defesa do setor produtivo. “O principal
problema ambiental da água não é na agricultura, mas, sim, o saneamento básico.
A falta de tratamento da água é um dos maiores problemas do país em termos de
indicadores de qualidade de vida”, enfatizou.
Espaço AgroBrasil, inauguração oficial O diretor-presidente da Embrapa,
Pedro Arraes, também classificou o projeto como interessante e destacou o
momento conveniente em que a discussão vem à tona. “Estamos passando do período
de discussão do Código Florestal, onde a necessidade de informação e pesquisa
terá que crescer para subsidiar as políticas públicas”. Arraes ressaltou, no
entanto, que a ideia de APP global precisa ser
tratada com a diversidade que ela merece. “Esta é uma lição do Brasil ao mundo,
mas precisará ser adaptada à realidade de cada país”, disse, acrescentando que
é necessário criar as bases técnicas para levar a ideia
adiante. Para o diretor de Pesquisa e
Desenvolvimento da Embrapa, Ao falar do Código Florestal,
Lopes destacou o fato do Brasil ter tido a coragem de
“abraçar uma situação complexa. O País saiu na frente. Que outro país tem uma
legislação ambiental como a nossa?”. O diretor da Embrapa admitiu que, apesar
de pujante e sustentável, a agricultura brasileira tem dificuldades, mas que
estas serão superadas, através da inovação tecnológica, apontando sistemas de
produção como o plantio direto e a integração lavoura, pecuária e floresta. Índice de
sustentabilidade A criação de um índice global de
desenvolvimento sustentável, com o intuito de permitir a abertura de mercados
para países que adotam práticas ambientais corretas, e a constituição de um
fundo internacional para financiamento de tecnologia, que desenvolva a
agricultura, são os principais pontos do Documento de Posicionamento do Setor
Agropecuário a Rio+20. A presidente da CNA, senadora
Kátia Abreu, disse que, a partir da criação de um índice global de
desenvolvimento, os países que produzem de forma sustentável poderão obter
remunerações mais adequadas para manejo e comercialização de seus produtos,
premiando os serviços ambientais. Abreu disse que o índice não é apenas uma ideia ou uma sugestão, que já há trabalho concreto em cima
da adoção e que A economista da CNA, Rosemeire
Santos, afirmou que a ideia do índice é contemplar as práticas sustentáveis, levando em conta aspectos sociais,
ambientais e econômicos. “Também vamos propor um ranking com os países
que adotarem o índice”, completou. Entre os temas destacados pelo documento,
destaque para tecnologia e inovação, economia verde trabalho decente e meio
ambiente. “Com o uso de tecnologia e a recuperação de áreas degradadas, PROPOSTAS DO SETOR ENCAMINHADAS À PRESIDENTE DILMA Durante a Rio+ Veja abaixo as propostas:
1. Amazônia Só a tecnologia pode
garantir o desmatamento zero na Amazônia. Grande parte do que até aqui ocorreu
na região decorre da precariedade de meios que ainda predomina. Com baixa
rentabilidade do sistema produtivo, que impede a aquisição de tecnologia, esse
quadro tende a se perpetuar, mantendo tensão constante entre produção e
floresta. A situação afeta, sobretudo, os pequenos e médios produtores rurais. 2. Serviços ambientais O passivo ambiental é
fruto do descaso e despreparo das gerações que nos precederam e nos legaram os
desafios presentes. Não é justo que esta geração arque sozinha com uma conta
histórica, impagável de uma só vez. Portanto, os governos precisam encontrar
mecanismos de atenuar os custos presentes, diluindo-os no tempo. Os países ricos foram
beneficiários do desenvolvimento sem as regras e amarras que hoje pesam sobre
os países de desenvolvimento tardio. É justo que contribuam pelos benefícios
ambientais que recebem gratuitamente desses países. 3. Redução de Emissões 4. APP Global 5. Fundos para terra degradada Nenhum produtor é inimigo
de sua própria terra. Degradação é fruto da pobreza. É a tecnologia que gera a
prosperidade. Daí a necessidade de integrar ecologia à economia, sem
transformar a defesa ambiental num tribunal. A prioridade não pode ser punir,
mas instruir e viabilizar a recomposição, por meio de pesquisa, financiamento e
incentivos ao uso de tecnologia. 6. Extensão Rural Os insumos tecnológicos
agropecuários precisam ser democraticamente disseminados. Essa é a grande
revolução agrícola que a humanidade carece: a distribuição do conhecimento,
fonte maior da prosperidade e justiça social. 7. Assimetrias É preciso reduzir as
assimetrias de regulamentação ambiental entre as nações, sem ferir o princípio
da soberania. Para isso, fazem-se necessárias conferências internacionais como
esta, com efetivo apoio dos governos. Código Florestal O polêmico Código Florestal
brasileiro não foi esquecido durante as discussões da Rio+20.
Apesar de todas as concessões, o novo Código pode apresentar resultados mais
positivos para a preservação ambiental, já que o texto anterior, de 1965, não
era cumprido. A avaliação é do advogado especializado em direito ambiental da
Universidade Federal de Viçosa, Para o advogado, que participa
do Projeto Mudar Gerais, o novo Código não vai aumentar o desmatamento, mas
diminui a recomposição de florestas. “Mas existem no texto instrumentos de
incentivo a esta recomposição que precisam ser efetivamente implantados. Não
podemos falar com certeza se o código é melhor ou pior que o antigo, mas este
texto pode ser cumprido, diferentemente do antigo”, disse. Entre os pontos mais
controversos do Código, Carvalho destaca a anistia aos produtores que
desmataram até julho de 2008. Para o advogado, a retroatividade da lei não está
correta. Para ele, a anistia teria que ter validade a partir da vigência da
nova legislação. Outro ponto que gera muita discussão é o referente ao uso
consolidado. Quem se posiciona contrário à
norma lembra que pelo atual Código o infrator até 2008 não será penalizado e
quem cumpriu a lei será prejudicado. “Isso tira a credibilidade da norma”,
afirma o advgado. Já os favoráveis ao uso consolidado
destacam a manutenção da área produtiva e o impacto social da decisão, além de
ressaltar a impossibilidade de cumprimento da legislação anterior. “Também
temos que lembrar dos programas governamentais que
estimularam o desmatamento e o descumprimento da lei”. Os pontos positivos em termos
ambientais do novo Código, segundo o advogado, são o pagamento por serviços
ambientais, que gera um estímulo grande, o cadastro ambiental rural e o
programa de regulamentação ambiental.
Rui Prado, presidente da Famato O economista da Universidade e
também participante do Projeto Mudar Gerais, Pedro Máximo, lamenta que a
discussão em torno do novo Código pode não conduzir a uma solução. “É difícil
encontrar parâmetros. Em alguns casos, o antigo código inviabilizaria a
produção. Mas o novo gera casos em que a preservação exigida é inferior ao
desejo dos próprios produtores”. Para ele, parâmetros únicos não
atendem à realidade do Brasil, já que a lei e a atuação governamental deveriam
observar as peculiaridades regionais. “Há uma contradição muito grande entre os
parâmetros de proteção e o tratamento diferenciado a pequenas propriedades. As
respostas são específicas e fica difícil generalizar”, completa o
economista. O presidente da Federação da
Agricultura do Estado do Mato Grosso (Famato), Rui
Prado, defendeu a ideia da adoção de um Código
Florestal Mundial. “Quando se fala em meio ambiente não existem fronteiras.
Sabemos que é uma empreitada difícil, mas precisamos ter este conceito em
nossas cabeças”, disse Prado. “Precisamos pensar como planeta. O Com base nas projeções de oferta
e demanda de alimentos, Prado sugere uma discussão racional e menos emocional,
pois “precisamos que fechar uma equação sem equilíbrio”. Números da FAO indicam
que entre 2012 e
Iniciativas do
agronegócio brasileiro em prol do desenvolvimento sustentável CLIMA Apesar das controvérsias, as
mudanças climáticas causarão impactos para a agricultura. Na avaliação do
presidente da Comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura
e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Veronez, o setor tem que se antecipar e ser proativo,
“transformando uma dificuldade em oportunidade”. A recomendação de Veronez foi feita durante seminário no espaço AgroBrasil, na Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. Na ocasião o Assuero
destacou o compromisso da CNA em ser protagonista nesta questão e por isso está
colocando em prática estes programas. “O mercado de emissões é uma oportunidade
do produtor O presidente da Federação da
Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Rui
Prado, apresentou o Projeto Verde Rio, que colocou Através de uma ação conjunta O presidente do Instituto Ação
Verde, deputado Carlos Avalone, ressaltou que o
projeto está mostrando que a remuneração por redução na emissão de carbono já
pode ser feita. “O Verde Rio é um exemplo concreto de um projeto com
responsabilidade e resultado sócio-ambiental”, concluiu. COOPERATIVISMO O cooperativismo está alinhado
na proposta de construir um mundo melhor, já que é um sistema comprometido com
a sustentabilidade, tanto em termos econômicos como social e ambientalmente. A
avaliação foi feita pelo presidente do Sistema OCB/SESCOOP, Freitas lembrou que 2012 é o Ano
Internacional do Cooperativismo, afirmando que “mais do que a comemoração de um
ano, o significado transparece o reconhecimento mundial do papel do
cooperativismo, que foi capaz de mitigar os efeitos da crise econômica
internacional”. O presidente reiterou que mesmo com o agravamento da crise de
confiança no sistema financeiro, o cooperativismo cresceu, disponibilizando um
volume crescente de crédito, enquanto as instituições tradicionais seguraram a
oferta de capital. “As cooperativas supriram esta demanda por credito”,
completou. “Precisamos de um cooperativismo
forte e que o nosso papel seja reconhecido pela sociedade”, afirmou Freitas,
usado como exemplo a participação do setor no agronegócio. O presidente lembrou
que 48% da produção agropecuária brasileira passará
pelas cooperativas. Além de ressaltar a importância de ser o ano internacional,
o presidente do Sistema OCB destacou a relevância do cooperativismo estar na
pauta oficial da Rio+20. “Precisamos bater tambor e
ecoar dentro da Conferência, mostrando o nosso caráter sustentável”, concluiu. A diretora da Aliança
Cooperativa Internacional (ACI), Betsy Dribben,
destacou o crescimento da economia brasileira, ressaltando a grande
participação do cooperativismo esta expansão. “O cooperativismo tem que fazer
parte do cotidiano de todos. Isso já existe no Brasil e é exemplo para o mundo”,
frisou. Seguindo nesta linha, o
presidente da Embrapa, Pedro Arraes, destacou o avanço das cooperativas
brasileiras e como o agronegócio do País se desenvolveu de forma sustentável.
“Temos muito o que mostrar na Rio+20, como o Programa
ABC e o Projeto Biomas”, exemplificou. “Nós temos que nos orgulhar do Brasil.
Construímos a agricultura mais sustentável do planeta, temos a agricultura mais
verde do planeta”, ratificou, ressalvando que o setor tem muito a crescer e que
vai atingir este crescimento através da pesquisa e junto com o
cooperativismo. Representando o Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o secretário do
Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo, Erikson
Camargo Chandoha, assegurou que o governo
federal está fazendo ações fortes em prol do sistema cooperativista. “Isso
ficou evidente no esforço desprendido para incluir o cooperativismo na pauta
oficial da Rio+
Espaço AgroBrasil, Píer Mauá BIOENERGIA A bioenergia
contribui e tem potencial para auxiliar ainda mais na busca pela economia
sustentável. Tanto biodiesel como etanol têm um papel importante na matriz
energética brasileira e trazem benefícios para a sustentabilidade. As
conclusões resultaram do seminário “Bioenergia:
Potencialidades e Desafios no Brasil”, realizado no espaço AgroBrasil. O professor e coordenador do
Projeto Biodiesel da Universidade Federal de Viçosa (MG), Aziz
Galvão da Silva, apresentou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel
(PNPB), lançado no início de 2004 pelo governo federal, com “objetivos
ambiciosos, incluindo metas sociais”. Segundo o professor, o grande diferencial
do Programa, através do selo combustível social, é o enfoque nos fatores
sociais, visando emprego e renda para a agricultura familiar. O sucesso do programa pode ser
medido pela antecipação nas metas de mistura do biodiesel no diesel. Inicialmente,
a mistura de 5% era projetada para 2013. O B5, no entanto, foi adotado já em
2010 e já se projeta a implementação do B10. “A ideia
inicial era a utilização da mamona e de outras matérias primas. Mas, hoje, 80%
do programa se baseia na soja, uma cadeia mais
organizada, mesmo que a soja possua apenas 18% de óleo”, explicou. O professor
destacou o caráter positivo do biodiesel em favor da segurança alimentar e do
desenvolvimento rural. “ O gerente de Sustentabilidade da
Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar,
Luiz Fernando do Amaral, lembrou que o etanol reduz em 90%¨a emissão de gases de efeito estufa, na comparação
com a gasolina, levando em conta todo o processo de produção. Destacou ainda o
fato de todas as usinas associadas à Unica produzirem
bioeletricidade, a partir do bagaço da cana. “As usinas são autossuficientes em energia e 30% delas ainda vendem o
excedente”, completou, adicionando que a produção de energia hoje é de 1.000
mega watts e o potencial para 2020 é de 15 mil, o
equivalente a três usinas Belo Monte. “Nos falta
legislação adequada e investimentos tecnológicos”. Segundo Amaral, a cana tem
papel essencial na busca da economia pós petróleo. “A
experiência do setor sucroenergético é extremamente
relevante na busca pela sustentabilidade. Porém, diferentes cadeias
agropecuárias exigem as ferramentas adequadas e específicas”, alertou. EXEMPLOS A principal defesa do
agronegócio nacional às investidas de grupos ambientalistas e a ratificação do
caráter sustentável da agropecuária brasileira podem ser bem compactados nos
exemplos. No caso do Mato Grosso do Sul, dois “cases” mostram o cuidado do
setor com o desenvolvimento sustentável: o programa Novilho Precoce e A Associação do Novilho Precoce
engloba 230 produtores e um rebanho de 600 mil cabeças. Desde que foi fundada,
há 14 anos, a Associação contabiliza mais de 500 mil abates. O Programa se
firma na parceria produtor, frigorífico e supermercados e abate cerca de 65 mil cabeça por ano. “Isso agrega valor ao
produto. A produção responsável faz parte de nossa filosofia, dentro de normas
e regras estabelecidas, que envolvem bem estar animal,
gestão, questões trabalhistas, entre outros”, explica o presidente da
Associação, Alexandre Scaff Raffi.
Entre as vantagens do Novilho
Precoce, o presidente enumera o maior índice de produtividade, o menos risco de
acidentes, uma gestão econômica mais eficiente e uma maior consciência
ambiental. “Se produz mais em uma mesma área, há um maior sequestro
de carbono e uma menor emissão de gases de efeito estufa. Portanto, temos um
sistema de produção altamente sustentável”, assegura Raffi.
Já a Associação Brasileira de
Produtores Orgânicos (ABPO) decidiu adotar o protocolo orgânico como
certificação. “Nosso objetivo é agregar valor, respeitando a sociedade e o
meio-ambiente”, destaca o presidente da ABPO, Segundo Barros, não há dúvidas
de que Para SISTEMAS DE PRODUÇÃO A agropecuária brasileira vem
apresentando ao mundo sistemas de produção e tecnologias que visam atender aos
preceitos de sustentabilidade. Reunidas sob o Programa ABC – Agricultura de
Baixo Carbono -, estas práticas estão contribuindo para garantir o cumprimento
das metas de redução de emissão de carbono, assumidas durante a COP-15. Durante a Rio+20,
alguns exemplos e seus benefícios foram reforçados. O vice-presidente da
Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp),
Franke Dijkstra, disse que
a tecnologia é sustentável, contribuindo para preservar o ambiente com maiores
níveis de produtividade. “Utilizamos apenas 8% da área brasileira para
produzir. E temos 20% da área do país agricultável”, lembra Dijkstra.
Segundo ele, O representante da ABCZ –
Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), João Brito, destacou que a
prioridade da entidade, e da pecuária brasileira em geral, é verticalizar a
produção, através da produção integrada. A ABCZ está incentivando os produtores
a adotarem a Integração Lavoura, Pecuária e Florestas (ILPF), através da
campanha “Ponha seu Boi na Sombra”, que visa manter a floresta nativa ou amplia
o plantio de eucalipto. “Só vejo vantagens na ILPF”. Brito disse ainda que todas as
ações da pecuária a partir de agora são naturalmente sustentáveis. O pecuarista
tem a missão de produzir mais em áreas menores. “Temos muita área degradada. A
recuperação destas áreas será voltada à agricultura”, frisou. Os desafios,
portanto, são populariza a genética e a recuperação das pastagens através de manejos
sustentáveis, como a ILPF. Já o superintendente de energias
renováveis da Itaipu Binacional, Cícero Bley Júnior,
apresentou as ações da empresa em prol da expansão do uso do biogás. “Queremos
transformar o biogás em um produto do agronegócio”, propôs, ressaltando que os
desafios neste sentido são investir em tecnologia e capacitação, maior acesso
ao crédito, políticas públicas adequadas, pesquisa e regulação. Bley lembra que o biogás pode ser utilizado pelo produtor
para suprir a energia nas propriedades e ainda há a possibilidade de vender o
excedente. “Esta é uma tecnologia importante do Programa ABC e tem muito espaço
para crescer”, conclui. INTEGRAÇÃO LAVOURA, PECUÁRIA
E FLORESTA O exemplo da
Fazenda Santa Brígida, em Ipamerí, no sudoeste de
Goiás, resumiu os benefícios e os resultados positivos da adoção da Integração
Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), combinando melhores resultados econômicos
com preservação do meio ambiente. “A Santa Brígida usa o melhor da agricultura
intensiva e também da agroecologia, o que resulta em
colheitas fartas e crescentes, com uso intensivo de insumos e melhora nos
atributos de sustentabilidade do solo”, destacou engenheiro-agrônomo Roberto A Fazenda possui Neste período, a produtividade
da soja pulou de 2.400 quilos por hectare para 4.080 quilos por hectare, bem
acima da média nacional. O rendimento do milho mais que dobrou, pulando de
4.800 quilos para 10.800 quilos por hectare. No caso da pecuária, a
produtividade passou de 2 arrobas para 16 arrobas por hectare, a idade média de
abate de 4 para 3 anos e o custo de produção de carne baixou de 73 reais para
34 reais por arroba. A proprietária da fazenda, Marize Porto Costa, destacou a exploração sustentável da
Santa Brígida. “Recuperamos quase O pesquisador da Embrapa Solo do
Rio de Janeiro, Luís Hernani, lembrou que a ILPF é o ideal que se busca dentro
do sistema de produção agropecuária. “Os resultados são surpreendentemente
bons, mas temos que desenvolvê-lo de maneira correta, obtendo alta
rentabilidade com benefício ao meio ambiente”, resume.
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